Quando formulei as bases da pedagogia construtivista, havia uma fronteira muito bem definida entre adultos e crianças. Aliás, nem se prestava muito atenção nos pequenos. Naquela época, bebês apenas nasciam, hoje estreiam. Ninguém pensava em registrar o parto e muito menos postá-lo no Youtube. As festas de aniversário eram feitas em casa e, acreditem, não tinham tema nenhum a não ser o do próprio aniversário. Esperávamos que as crianças crescessem sem grande alarde.
Construtivismo, você sabe, é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve. Parte do princípio de que ninguém nasce inteligente. Respondemos aos estímulos externos e agimos sobre eles. E dessa maneira vamos construindo e organizando o nosso próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. Essa ideia revolucionou o ensino e permitiu, entre tantas coisas, que creches e jardins de infância passassem a cobrar mensalidade de 3 mil reais sem sentir vergonha.
Estou contando tudo isso porque, na condição de especialista, não posso ficar alheio ao debate sobre o projeto de lei do governo brasileiro que proíbe os pais de baterem
em seus filhos. Muitos me perguntam qual a minha opinião sobre essa nova lei. Vamos lá. São duas questões em uma. A primeira questiona se o Estado deve interferir sobre os problemas domésticos. E a segunda indaga se devemos ou não bater nas crianças em determinadas ocasiões, buscando um efeito “educativo”. As minhas respostas são simples: não e não. 1. O Estado não tem competência para tal tarefa. 2. Não se bate em criança em nenhuma circunstância. Bater não educa, apenas traumatiza. Para que isso fique bem claro, vou exagerar em algumas situações-limite, onde você deve buscar o diálogo, mesmo que a violência se apresente como a única solução.
- Seu álbum da Copa aparece com figurinhas coladas nos lugares indevidos.
- Você chega para jogar com seus amigos e os joysticks estão descarregados.
- Sua camiseta do Kiss aparece suja de ketchup.
- Seu filho diz que não quer comer nada e rouba todas as batatinhas do seu Mc Lanche Feliz.
É difícil, mas você tem que ser maduro nessas horas.
POSTADO POR: Piaget