
A Amy já foi? Acabou a turnê brasileira? Foi só isso? Meia Dúzia de pocket-shows, uma foto mostrando os mamilos na varanda do hotel, várias outras captando o olhar alcoolizado e perdido, um tropeço, uma tentativa de cantar na garrafa d’água pensando que fosse o microfone e várias saídas de palco durante a apresentação?
Depois ainda gostam de compará-la comigo. Pelo amor livre de Deus. Reconheço que a moça tem talento. É uma cantora inspirada, dona de uma voz potente, tem carisma e bom faro para o repertório. Mas em matéria de barraco ela ainda tem muito que aprender.
Quando estive no Brasil, também em busca de rehab, eu fiz muito mais do que se espera de um astro pop limítrofe. Aliás, isso é curioso. O Terceiro Mundo é muito usado como centro de reabilitação de artistas em decadência ou em meio a problemas com drogas ou as duas coisas ao mesmo tempo. Parece que as plateias por lá ficam tão agradecidas de ter contato com seus ídolos que aplaudem até quando eles esquecem a letra ou perdem a dentadura. Talvez com o fortalecimento dos BRIC, o movimento inverso possa acontecer. Ainda vamos ver uma turnê do Benito de Paula pelos Estados Unidos com ingressos a 300 dólares na área quase vip.
Mas como estava dizendo, quando estive no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1970, em plena ditadura do Médici, que, por sinal não deu as caras aqui no céu, eu barbarizei de verdade. Fui expulsa do Copacabana Palace por nadar nua na piscina. Cantei em puteiros, misturei barbitúricos com caipirinha e biscoito Globo. Fui detida, várias vezes, por fazer topless na praia. E o maior escândalo de todos: dizem que transei com o Serguei. E se dizem, eu acredito. Memória não é o meu forte.
Agora, veja só. Nada disso causaria espécie nos dias de hoje. Talvez transar com o Sergei ainda pudesse surpreender um pouco como um ato de coragem. Excessos e descontroles são o roteiro clássico do astro rock drogado. É a atuação que se espera. Ninguém imaginou ver a Amy, no Bibi Lanches do Leblon, pedindo um açaí na tigela com granola. Hoje, para escandalizar, é preciso bem mais que uma dose de heroína. Uma pop star, sei lá, precisa casar com o Michel Temer, começar o show na hora, dizer que não tem e-mail, declarar que acha uma porcaria as redes sociais. Ou, se quiser radicalizar, não colocar silicone.