Braguinha

SOBRE MIM
Fui muito mais radical do que as feministas americanas que queimaram os sutiãs. Eu botei fogo no guarda-roupa inteiro.

SOBRE MIM
Um lugar onde a cobra vai fumar. Ou seja, esse é um ambiente aberto e sem toldo. Não quero problemas com os fiscais da prefeitura.

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  • 2011
  • março
  • LUZ DEL FUEGO PARA TODOS

LUZ DEL FUEGO PARA TODOS

Passei o carnaval em casa ao natural, acariciando as jiboias e acompanhando o mundo pelas telas. Na falta de uma rodada importante, torci pelos rebeldes líbios, que até agora tinham o maior número de vitórias e o melhor saldo de gols, mas, ao que parece, recuaram demais, sofreram o contra-ataque e agora estão ameaçados de nem chegar à fase do mata-mata. Detesto esse período de campeonatos regionais.

Liguei a televisão para ver os desfiles. Gosto de observar os corpos seminus e desfrutar do clima erótico do carnaval. Mas hoje as câmeras dão mais atenção às engenhocas e traquitanas dos carros alegóricos e às inovações coreográficas que misturam circo, teatro e magia. Cadê o plano enquadrando a bunda da mulata? Onde está a moça que faz da lente a boquinha da garrafa? Achei tudo muito comportado. E pra cortar o barato de vez, a narração era feita por um locutor de futebol.

Se a tevê aberta não pode mostrar certas coisas nem no carnaval, o jeito é ir ao cinema. Botei meu sobretudo, o jeito naturista de enfrentar os ares condicionados histéricos de determinadas salas e fui ver Bruna Surfistinha. Que deveria se chamar Meu Nome Não É Bruna, mas essa é outra conversa. Pensei que se tratava de uma espécie de refilmagem do clássico A Colegial Que Levou Pau. A sinopse dizia: cinebiografia de uma menina, estudante de classe média, que decide se prostituir. Mas o filme era um drama social, cuja mensagem pode ser resumida da seguinte maneira: se você tiver um blog sempre atualizado e o corpo da Débora Secco, acredite em você. Um amigo que leu o livro, no qual o filme se baseou, me disse que o primeiro era melhor. E outro que fez um programa com a Bruna me disse que o programa é melhor que o livro.

Na volta, fui me distrair na web, dei uma passadinha no Twitter e, opa, estava lá no Trend Topic um assunto em discussão que parecia interessante: devassa. Fui me interar e vi que o alvoroço todo era porque a Sandy, notória recatada, estava desempenhando o papel de garota propaganda de uma cerveja chamada Devassa. O tema estava quente porque a maioria das pessoas estava indignada por Sandy não corresponder à imagem da mulher que gosta de sexo, quanto mais devasso. Outro ponto muito comentado foi o fato de a moça já ter declarado publicamente que não gosta de bebidas alcoólicas. Não entendo como, em pleno 2011, aceitar um cachê possa ainda causar espanto.

Não pude deixar de relacionar todos esses fatos à minha trajetória. Vejam como são as coisas. Eu abandonei a minha abastada, católica e tradicional família para ter uma vida independente. Tomei meu nome artístico de um batom argentino que fazia sucesso na época. Criei um número de dança onde me apresentava em trajes íntimos, envolta em duas serpentes. Desafiei os costumes e hábitos da sociedade brasileira. Fundei o primeiro clube de naturismo brasileiro. Nunca gostei de bebidas alcoólicas e sempre levei minha carreira artística com seriedade, mas fui tomada por muitos como mulher de vida fácil e devassa. Tudo isso entre os anos 30 e 50 do século passado. Ai, ai. Nem parece que não foi ontem.

POSTADO POR: Del Fuego